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Pratica

A respiração que abre o sétimo chakra

Pramod6 min26 de junho de 2026

A respiração que abre o sétimo chakra

Vou descrever uma prática antes de explicá-la. Às vezes funciona melhor assim.

Sente-se em qualquer posição cômoda. Coluna ereta — não rígida, ereta. Olhos fechados ou semifechados. Coloque uma mão no ventre, abaixo do umbigo. Inspire lentamente pelo nariz enquanto expande o ventre — não o peito, o ventre. Segure por dois ou três segundos. Expire pela boca, vagarosamente, como se soprasse uma vela sem apagá-la. Repita durante três minutos.

Pronto. Isso é o núcleo da prática. O resto desta carta é contexto — útil, mas não indispensável.

Por que começar pelo baixo

Há um paradoxo no título desta carta que vale esclarecer logo. O sétimo chakra — sahasrara, no alto da cabeça — é associado à consciência expandida, à conexão com algo maior que o ego. Para a maioria das pessoas, parece lógico trabalhar diretamente com essa região: meditação de topo de cabeça, visualizações de luz branca, mantras.

A tradição tântrica propõe o contrário. Propõe que a abertura das regiões superiores depende do enraizamento nas inferiores. Que não há expansão estável sem base. Que tentar abrir o sétimo chakra sem antes despertar e conduzir a energia dos primeiros é como tentar acender a chama de uma vela sem combustível.

A respiração ventral que descrevi acima ativa o chakra raiz — muladhara. Não metaforicamente. Literalmente: a expansão do diafragma para baixo estimula o nervo vago, que regula o sistema nervoso parassimpático. O corpo sai do estado de alerta, de defesa, de contração. Entra num estado de receptividade. É desse estado — e não de outro — que a energia pode percorrer a coluna em direção ao topo.

A técnica completa

O que descrevi acima é a primeira fase. A prática completa tem três.

Fase 1 — Enraizamento (3 minutos)

Respiração ventral como descrito. Atenção no ponto abaixo do umbigo. Sem forçar nada. Apenas observe o movimento do ventre. Se a mente divagar, traga-a de volta sem julgamento.

Fase 2 — Condução (3 a 5 minutos)

Na inspiração, imagine — ou sinta, se a sensação vier sem imaginação forçada — uma corrente de energia subindo pela coluna da base até o topo da cabeça. Na expiração, ela desce pelo mesmo caminho. O movimento é vertical. Suave. Sem pressa.

Não se preocupe se não sentir nada de extraordinário nas primeiras vezes. A prática funciona antes de ser percebida. O sistema nervoso responde ao padrão respiratório independentemente de você ter uma experiência dramática.

Fase 3 — Presença (2 minutos)

Solte a técnica. Respire normalmente. Permaneça sentado, olhos fechados. Observe o que está presente — sensações, emoções, pensamentos — sem interferir. Este é o momento em que o sétimo chakra, na linguagem tântrica, se abre de verdade: não por esforço, mas pela ausência de esforço depois do trabalho.

Antes de práticas solo

Se você vai fazer uma prática de meditação, de movimento, de auto-observação do corpo, essa respiração antes funciona como um aquecimento do sistema nervoso. Não é ritual. É fisiologia aplicada. O estado em que você entra numa prática determina em grande parte o que você é capaz de perceber dentro dela.

Cinco a oito minutos de respiração guiada produzem um estado de receptividade que, de outro modo, pode levar quinze ou vinte minutos de prática para surgir espontaneamente. É uma economia de tempo — e de frustração.

Antes de práticas a dois

Com um parceiro ou parceira, a prática pode ser feita em paralelo — cada um no seu ritmo, lado a lado ou frente a frente. Não é necessário sincronizar a respiração. O que importa é que ambos cheguem ao encontro a partir de um estado interno, não de um estado reativo ou apressado.

Uma variação que uso em práticas de casal: depois das três fases individuais, abrir os olhos e, por alguns segundos, apenas olhar para o outro. Sem falar. Sem tocar. Apenas presença com presença. O que acontece nesse silêncio é frequentemente mais íntimo do que tudo que vem depois.

Uma nota sobre o que esperar

Nas primeiras práticas, o mais comum é uma sensação de calma, de leveza na cabeça, de aquecimento suave no corpo. Às vezes surgem emoções — saudade, alegria, uma tristeza sem causa aparente. Isso é normal. O sistema nervoso, ao relaxar, libera o que estava guardado. Não é necessário interpretar. Apenas observe.

Com o tempo, e com regularidade, a prática produz algo mais difícil de descrever: uma qualidade de atenção que se mantém mesmo depois que você se levanta e volta à vida. Como se o volume do mundo externo baixasse um pouco e o volume do que você sente internamente subisse. Isso, na tradição tântrica, é o sinal de que o caminho está sendo percorrido.


No Sagrado Êxtase, integro práticas como esta em uma sequência de seis semanas. Se você quer aprofundar esse trabalho de forma estruturada, é por lá que a jornada continua.

Continue o caminho

Este texto é só a porta. O método completo está no Sagrado Êxtase.

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Pramod OyamaEducador e terapeuta. Tantra desde 1998. Escrevo uma carta por semana.

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